Repertório e Referência

É preciso diferenciar os termos repertório e referência antes de discorrer sobre o assunto:

Repertório é o acumulo de conhecimento e informação de qualquer origem que se dá de forma não linear para cada indivíuo em caráter pessoal. Referência é qualquer ponto de partida tomado como base, que tende a ser determinante na execução de um projeto. De forma mais simples repertório é todo e qualquer conteúdo que usamos para nos abastecer intelectualmente, consecutivamente é o fio condutor em nossas atitudes e interpretações. Referência é o mais imediato, mastigado, já codificado por assim dizer, algo que ainda talvez não faça parte por completo de nosso intelecto,  mas que, não por isso seja menos importante e até determinante em projetos.

Existe uma  busca dos designers pelo o que outros designers estão produzindo. Não condeno tal ato, mas também não glorifico, não,  na ótica de um profissional receber as instruções, problemas, ou briefing de determinada encomenda em mãos e correr para a internet e revistas buscar por subitamente agregar conteúdo ao seu repertório, sedento por tentar incorporar códigos já prontos de outros trabalhos, alegando erroneamente que esse ato na verdade chama-se referência.

Na publicação anterior http://www.murilocontro.com.br/transdisciplinaridade-no-ensino-do-design-no-brasil/ falo um pouco sobre o “respirar design”, pretendo dar um pouco mais de vazão ao tema aqui, mas antes de dar sequencia ao ensaio, vale refletir sobre o que é Repertório de uma maneira mais formal e abrangente:

Repertório é todo conhecimento armazenado, que modifica e confirma os ideais do ser. Assim, o ser pode ser definido por sua ideologia, por suas experiências, por suas ações, enfim, pelo seu repertório individual. Na Teoria da informação, o conceito de Repertório se refere ao nível de conhecimento do receptor, o seu nível cultural, a sua instrução. Quando o repertório utilizado pelo emissor em uma determinada mensagem está em um nível acima do repertório do receptor, existe incompatibilidade de níveis de repertório e a apreensão da mensagem em sua totalidade pelo receptor é impossível. Fonte: Wikipedia

Um dos campos que mais exigem sólidas bases conceituais visuais e históricas (repertório) no design gráfico está em projetar uma Identidade Visual. Tal essa, que consiste em representar de forma visual e sistematizada uma empresa, produto, serviço, aos clientes, consumidores, usuários, etc…

Ao desenvolver uma Identidade Visual, o designer deve necessariamente alinhar três importantes etapas no desenvolvimento:

  • A história, tradição e projeções que incorporam ao cliente de tal encomenda, ou suas projeção futuras caso tal ainda não esteja em atividade;
  • A real conjuntura de quem consumirá tal informação (receptor, cliente, usuário, etc.);
  • Fidelidade a si mesmo;

Com essas três premissas básicas em mente, o designer estará no caminho correto para desempenhar seu papel perante a quem contratou o serviço, e consigo mesmo.

Darei continuidade ao tema, mas antes, no próxima publicação apontarei um caso de cliente real, onde o repertório fez a diferença projetual.


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