meros devaneios tolos

por Murilo Parra Contro

Dadaísmo, o movimento Dadá

October 7th, 2007 by Murilo Parra Contro

O Dadaísmo é contrário a qualquer tipo de equilíbrio em arte seja em pinturas, esculturas, poesias, fotografia e cinema.

Um grupo de artistas frustrados com a religião, ciência e filosofia na atual época da Primeira Guerra Mundial.

Pregavam a arte livre de qualquer estilo ou amarra racional, a arte sem rédeas.

Criar com o automatismo psíquico usando elementos distintos, mas sempre fugindo de regras impostas pela arte. Fortaleciam a busca e destruição da arte acadêmica.

Foram importantes para movimentos futuros como Surrealismo, Pop Art, Arte Conceitual e o Expressionismo Abstrato.

Apesar de tudo que pregavam, sem dúvidas deixaram fortes influências para todos nós.
Abaixo alguns exemplos:


Kleine Dada Soirée, 1922. Litografia de Theo van Doesburg e Kurt Schwitters.

• Mistura de tipos sem preocupação estética, utilizando fontes em Caixa Alta e Baixa na mesma palavra.

Murilo Contro

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Os 7 Pecados Visuais

October 3rd, 2007 by Murilo Parra Contro

Existem empresários que pensam que sabem tudo a respeito de mercadologia. Investem pesado na “decoração” de suas lojas e nos materiais de divulgação. Acreditam, por isso, que têm uma profunda preocupação mercadológica e estética.

Não se dão conta de que apesar de sempre tentarem fazer alguma coisa e até gastarem bastante com isso, acabam não vendendo um conceito positivo e forte de suas empresas. Isso acontece porque nem tudo o que eles fazem apresenta um conceito único, uma identidade visual, ou seja, suas ações não são aplicadas respeitando um padrão visual.

Pequenos pecados diários agem silenciosamente fazendo com que a identidade da empresa seja aos poucos diluída, enfraquecida, perdendo a força e pior, refletindo a imagem de uma empresa desorganizada, ultrapassada e amadora. Veja a seguir sete dicas simples que absorverão esses pequenos pecados, largamente praticados por muitas empresas - que, ingenuamente, acreditam estar praticando o bem:

1.

Não seja preguiçoso e invente novas maneiras de divulgar promoções no ponto-de-venda. Será que você não consegue fugir do óbvio, descobrindo algo mais interessante do que apenas entupir sua loja com cartazes promocionais pendurados em tudo quanto é lugar?

2.

Seja esperto e não desperte a ira dos deuses da estética e da mercadologia, desrespeitando a tipologia, as cores ou as proporções da marca de sua empresa. Afinal de contas, por que um belo dia você pagou a uma empresa para que criasse sua marca, cercada de todos os cuidados necessários contidos em bom manual de marca?

3.

Não seja avarento na hora de optar por um orçamento. Lembre-se de que tudo que é bom tem seu valor. Portanto na hora de decidir, pense qual será o custo versus benefício de um investimento e não apenas em escolher o mais barato. Por que você acha que a gente vê tanta coisa feia quando andamos pelas ruas, como letreiros em fachadas e frotas pintados à mão e outras pérolas da anti-comunicação?

4.

Não seja guloso, querendo todo o espaço só para si. Comunicações exageradas acabam funcionando contra. Entupindo os esgotos da cidade com toneladas de panfletos jogados nos bueiros ou congestionando visualmente a cidade com faixas e placas sinalizadoras espalhadas pelas ruas, sua empresa até pode se tornar conhecida, mas não exatamente da forma que dá dinheiro.

5.

Não seja invejoso. Resista à tentação de copiar o que os outros fazem, alegando que isso é pesquisa de tendências. Não é porque uma empresa vizinha tem um luminoso gigante, com luzes vermelhas, letras douradas com um coração que muda de cor, que sua empresa tem de ter um igual. Lembre-se de que a linha de comunicação das empresas nem sempre é a mesma. Principalmente se a empresa vizinha é um restaurante e a sua, uma livraria.

6.

Não seja orgulhoso, seja exigente. Admita que o trabalho da gráfica que você exigiu que contratassem não é admissível. Ou você acha certo aceitar que deformem a marca ou que apliquem o logotipo com cores diferentes só porque a tal gráfica que você recomendou não possui as tintas especificadas?

7.

Não se deixe levar pela luxúria. Golpes baixos procurando atingir clientes abaixo da cintura podem até funcionar na hora, mas a imagem da empresa fica comprometida. Para que a comunicação seja eficaz, deve apresentar uma mesma linguagem, um conceito único e claro, não ser apelativa. De que adianta colocar uma passista da escola de samba vestida com duas fitas do Senhor do Bonfim rebolando e desfilando no estande da sua empresa, se na capa do folheto estampa a foto da Rainha Elizabeth e o seu produto é destinado a matar a fome das crianças da Etiópia?

Veja bem se a comunicação visual de sua empresa está sendo feita com olhos clínicos. Analise se a imagem da sua empresa não está sendo vítima de uma comunicação sem padrão e não pense que esses pequenos pecados são exclusivos de pequenas empresas. Existe muita empresa grande que, apesar de investir fábulas na mídia, peca na hora da venda e seus vendedores não dispõem de cartões ou blocos de anotações com o logotipo e as demais informações atualizadas para anotar preço, código, nome e telefone da empresa para o cliente. Então eles rasgam um pedaço de papel e escrevem ali, alguns garranchos e entregam satisfeitos e sorridentes. A imagem concreta que se guarda da tal empresa é um pedaço de papel rasgado e rabiscado. Cuidado, pois você pode não estar atento, mas lembre-se, seus clientes estão!

Autor: Luiz Renato Roble
Fonte: http://www.portaldomarketing.com.br

 

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7 Movimentos do Web Design

August 13th, 2007 by Murilo Parra Contro

Apesar de não trabalhar diretamente com Web Design, tenho um certo gosto pela coisa, aprecio páginas com um bom design e chego ser mais chato ainda para navegações e usabilidade em sites.

Mas falando em Design para Web, por indicação do amigo Márcio, entrei no site ThinkVitamin.com
e encontrei um artigo muito interessante produzido por Larissa Meek, Diretora de Arte e estado unidense de St. Louis.
Entrei em contato e pedi autorização da tradução e postagem em meu blog, tive um retorno rápido, e cá está, prontinho para degustação de todos

A tradução foi feita pela minha namorada Renata de Moraes Silva, eu tentei fazer o possível para adaptar ao nosso dialeto.

7 Movimentos do Web Design

Botões brilhantes, fundos ornamentais, interfaces futurísticas. Somos culpados de tempos em tempos por confiar, ou sempre cair no mesmo layout dentre os 7 Movimento do Web Design.
No artigo a seguir Larissa Meek fala a razão e o porque de serem clássicos.

Se você é um Web Designer, esses 7 movimentos do Web Design te perseguem. É uma relação de amor e ódio. Você diz para sí mesmo “Eu quero criar algo que nunca foi feito antes” mas no fundo você sabe o que realmente funciona e como funciona.
Infelizmente, você também sabe que o que funciona já foi feito milhões de vezes.
Não importa o quanto você ou qualquer outro tipinho-criativo se esforce para fazer algo novo, a história criou uma série de estilos clássicos que, basicamente se torna a mesma coisa, exceto por uma minoria de atualizações.

Pegue o mundo da moda como exemplo. Algo está em moda em um minuto e fora de moda em outro porque agente se cansa de ver a mesma coisa dia após dia. O mesmo exemplo vai ocorrer com Web Design.

De qualquer modo, assim como existem roupas super descoladas, existe também o pretinho básico, e claro isso se encaixa para Web Design.

Nem todo site deve se encaixar em cada categoria exata, podem haver combinações de estilos diferentes.

1. Colagismo // Faça-o imperfeito

A inspiração por traz da colagem é a de criar algo novo fora dos pedaços velhos.
O estilo Colagismo em Web Design, consiste de elementos como papel, fita, textura, gotejamento, sprays, respingos e até manchas de café.
Esse estilo é um tanto quanto tangível e é o contraponto da “perfeição da limpeza geométrica” que os computadores naturalmente trazem.
Você tem visto este estilo em todo lugar, desde uma surf shop, a uma igreja.
O segredo desse estilo é se libertar, ir além do óbvio e buscar inspirações desordeiras.
Use imagens de fundo para fazer as coisas parecerem retorcidas (tortas, viradas de lado errado).
No entanto seu texto tem que estar alinhado, você pode enganar os olhos das pessoas com imagens de fundo que não são retas (alinhadas). Isso cria um ar de movimento com organização.

Aplicação em arte do Colagismo

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Exemplos de site com uso do Colagismo:

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2. Ornamentismo // Decoração interior

Podem ser similar ao Colagismo, mas a essência do ‘fleur de lis’ e Art Nouveau ornamentada distingue esse estilo dos outros.
Isto é freqüentemente visto na web em modelos de fundo ou em elementos de enquadramento.
O Design Ornamental é inspirado pela arquitetura, onde os ornamentos são usados como acentos decorativos de pedra, árvores, metais preciosos ou gesso.
A forma mais fácil de iniciar esse movimento é utilizar fundos com cores pastéis.

Aplicação em arte do Ornamentismo

ornamentismo

Exemplos de site com uso do Ornamentismo:

ornamentismo site1

ornamentismo site2

ornamentismo site3

3. Brilhismo // Refletivo, não?

Esse é o estilo mais popular da Web hoje em dia.
Você o vê em todo lugar; é o melhor termo que caracteriza a Web 2.0 no que se refere à design.
Isso inclui degradês com cores de tons de jóias que são tão brilhantes que te dão vontade de lamber o monitor. Reflexos e botões brilhantes são fundamentais para esse movimento do Web Design.
Esse estilo veio pra ficar até que muita gente se canse de olhar pra ele.
Ele cria um senso de limpeza e facilmente guia o usuário para uma interface que também inclui cores fortes, contornos, raios de sol, icones, cantos arredondados e bolhas.

Aplicação em arte do Brilhismo

brilhismo

Exemplos de site com uso do Brilhismo

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4. Letrismo // Letras se tornam arte.

Esse movimento é totalmente inspirado pelo mundo impresso e é predominantemente visto como “primo” das revistas tradicionais.
Sua característica conta com uma tipografia poderosa em vez de decorações ou elementos de Design.
A tipografia por si própria se torna um estimulante visual, tornando a adição de outras fotografias, ilustrações ou decoração quase desnecessária.
A inspiração para o Letrismo pode ser encontrada em cartazes artísticos da epoca que marcou inicio do design moderno, que usa ilustrações combinadas com a tipografia bold.
A arte moderna do grafite pode estar relacionada com esse movimento também.

Aplicação em arte do Letrismo

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Exemplos de site com uso do Letrismo

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5. Futurismo // Projete para 1000 anos-luz

Esse foi um dos primeiros movimentos do Design na Web, mas não é muito utilizado hoje em dia.
No futuro eu posso ver essa criação voltando, não exatamente da mesma forma mas com algo novo, com algo misto.
Esse estilo é traduzido através de formas geométricas como circuitos de computador, placa-mãe e engrenagens mecânicas.
Em resumo, esse movimento é o reflexo da tecnologia e do que nós deveríamos prever para o futuro.

Aplicação em arte do Futurismo

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Exemplos de site com uso do Futurismo

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6. Minimalismo // O menos é mais

O movimento minimalista foi uma resposta ao abuso que a nossa percepção tirou das páginas da web mais prematuras quando os backgrounds eram limpos, os textos usavam cores primárias…
Minimalismo é o termo pela arte e pelos círculos de literatura, para descrever um movimento em direção à simplificação extrema da forma e da cor.
Minimalismo, como dizem os web designers, foca a usabilidade, a estética e permite que o conteúdo seja a estrela.
Esse tipo de Design não deve ser chato. Na realidade, o uso apropriado dos espaços em branco dá lugar a um nível de sofisticação que é geralmente ocultado dos sites que têm o espaço todo carregado de informações.

Aplicação em arte do Minimalismo

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Exemplos de site com uso do Minimalismo

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7. Retroísmo – Um sopro do passado

Design retrô inspire-se conforme o passado, como os looks ilustrativos dos anos 50, o flower power dos anos 60, o disco dos anos 70 ou até a Pop Art dos anos 80.
Estilos atuais e gráficos dessas eras foram restritos pelas limitações da tecnologia de hoje em dia.
O Retroísmo tira vantagem dos icones que essas limitações criaram.

O VW Fusca é um ótimo exemplo – compare o fusca de 1961 com o novo conversível de 2000.
Quando se usa esse estilo é bom não exagerar nos elementos.

Aplicação em arte do Retroísmo

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Exemplos de site com uso do Retroísmo

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O Design pode evoluir, mas o básico permanece o mesmo.

O mundo de forma organizada altera o seu pensamento visual.
Você vê esse pensamento organizado em todo lugar, desde as cores que usamos para pintar nossas paredes até as formas da moda que decoram nosso corpo.

Até porque as coisas são sempre envolventes, movimentos básicos vão permanecer os mesmos.
Então, da próxima vez que você estiver procurando inspiração, apenas retome o básico e adicione o seu próprio toque.

Os 7 movimentos do Web Design listados acima não são os únicos movimentos de Design da Web; muitos ainda estão para ser definidos e até descobertos.
Esses movimentos podem muito bem ser o “pretinho básico” do Web Design – todo mundo os usa porque eles funcionam – mas com um pouco de criatividade ainda é possível torná-los sua própria criação.

…………………………………………………………………………………………………

Artigo Original: Larissa Meek - site
Publicado em:
ThinkVitamin.com - site
Tradução inglês/português_BR:
Renata de Moraes Silva
Adaptação:
Murilo Parra Contro - site

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Criações intelectuais não pagam ISS nem INSS

August 1st, 2007 by Murilo Parra Contro

Navegando encontrei uma notícia muito importante, para todos nós: designers, fotografos, arte-finalistas, diagramadores, illustradores, redatores…etc.

A entrevista foi feita com o repórter-fotográfico Luis Alberto de Oliveira França, para o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, em contato com o próprio Sindicato, recebi autorização para publicação da mesma em meu Blog.

Site do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina : http://www.sjsc.org.br/

Aproveito então para agradecer o Silvio da Costa Pereira, por permitir e incentivar a divulgação.

…vamos lá!

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Aproveitamos a presença do repórter-fotográfico Luis Alberto de Oliveira França, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e da APIJOR no XXXI Congresso Nacional dos Jornalistas para esclarecer uma das maiores dúvidas dos jornalistas brasileiros sobre direitos autorais: o pagamento de ISS e INSS. Ele é categórico: nenhum autor de obra intelectual precisa pagar estes impostos. Confira ao seguir porquê.

Ao vender um trabalho autoral, o jornalista pode usar um contrato de “cessão” ou de “licenciamento” dos direitos autorais. Qual a diferença entre ambos?

No contrato de cessão, você está “cedendo” os teus direitos e no licenciamento está “licenciando” a obra para um uso específico. A lei 9.610/98 trouxe a possibilidade de licenciamento de obra. A cessão de obra é uma coisa mais antiga na lei autoral brasileira, que já era prevista na lei 5.988, de 1973. Até 1998, todas as obras deveriam ser cedidas. Não havia a idéia de licenciamento. Essa idéia surge numa discussão, em 1980, na União de Fotógrafos. A gente criou essa idéia questionando um dos maiores autoralistas que o país já teve, chamado Vieira Manso, que foi o cara que criou o primeiro modelo de contrato de licença para a Editora Abril. Essas licenças nada mais eram do que blefes legais, uma manipulação de tudo o que tem na lei com o intuito de fazer com que as pessoas tomassem medo e vendessem sua obra porque precisavam pagar as contas. Então, esse modelo perdura até hoje, desde 1973, em todas as empresas, e é conhecido como contrato de cessão de obra.

Por que não incidem ISS nem INSS sobre o licenciamento?

Não é sobre o licenciamento. É sobre toda obra intelectual. Sobre elas não incidem pagamentos de ISS ou INSS porque venda de propriedade intelectual não pode ser caracterizada como uma prestação de serviços. O artigo 3º da lei 9.610/98 diz que se entende, para efeito dessa lei, que propriedade intelectual é um bem móvel. E se é assim, não pode ser uma prestação de serviço. A venda de uma propriedade intelectual é como a de um anel, de um óculos, de ouro, de um carro.

E a nota fiscal?

Com o licenciamento, o autor passa a trabalhar da forma mais legal possível. Quando me pedem uma foto, eu faço, e na hora de entregar, levo a licença. O cliente então me diz que quer uma nota fiscal, e eu explico a ele que uma nota fiscal não tem nenhum valor legal. Nem nota fiscal nem recibo de pagamento.
Mas, geralmente, as empresas dizem que precisam da nota para a contabilidade.
Dizem isso porque desconhecem a lei. É preciso mostrar a lei do direito autoral. Lá, no artigo terceiro, diz que direito autoral é bem móvel. O que eu faço, por exemplo fotografia, é uma obra intelectual protegida. As obras intelectuais de todos os jornalistas estão protegidas.

E o empresário consegue colocar essa licença na contabilidade?

Com certeza. Porque é a única coisa que protege ele contra mim.

Mas e a parte contábil?

Não há nenhum problema contábil, porque existe um recibo embaixo da licença. Além disso, quando negociar seu direito autoral, transfira para o comprador o Imposto de Renda a pagar. Porque o que você cria é uma obra intelectual que tem de gerar renda para o país.

Como assim?

Eu orço a obra, ou seja, calculo um valor líquido para ela. Aí,então, obtenho o valor bruto, total, projetando o valor do Imposto de Renda. Porque o comprador, ao usar a licença, já está deixando de pagar para o Estado INSS e ISS, bem como todos os encargos sociais aos quais seria obrigado caso me contratasse. Ele não está pagando nada, então eu estou dizendo para ele pagar apenas o Imposto de Renda. É muito mais barato. Se eu estivesse emitindo uma nota fiscal estaria criando um monte de documentos fiscais e mais o Imposto de Renda. Sairia muito mais caro para o empresário. Num dos workshops que eu faço, mostro que o direito autoral é bom para quem compra e bom para quem vende. Quando você esclarece isso para o teu cliente, e mostra a ele que a licença é a única segurança que ele tem para publicar, o que sobra para discutir é dentro de que contexto o trabalho será usado e a quantidade de vezes que ele será reproduzido. Para que meio e para que veículo. Definido com o cliente, ponto final.

Isso vale também para cinegrafistas, ilustradores, etc?

Vale para todos. Para diagramadores, para quem cria textos, cinegrafistas, enfim, vale para todos autores brasileiros, de qualquer tipo de obra. O modelo de licença pode ter uma partitura embaixo dele. Eu estou trabalhando agora num modelo de licença digital, em plataforma Linux, na qual o cliente acessa, escolhe a imagem que quer, compra, paga, baixa a imagem e recebe a licença. É um projeto meu, independente da Apijor. Ele compra a licença e o dinheiro já cai na tua conta. Dá para fazer um portal de internet assim.

E a diferença que existe entre os direitos autorais europeus e norte-americanos, o que a gente tem a ver com isso?

Existem dois troncos de legislação no mundo. Um é o anglo-saxão, que é o tronco inglês, e que os Estados Unidos adotam no caso do direito autoral, direito econômico, direito civil. O outro é o latino ou romano, que inclui o Brasil.

E o que isso implica na questão dos direitos autorais?

A diferença entre a lei do direito autoral que fala do “copyright” norte-americano, e a lei do direito autoral do tronco latino é grande. A lei brasileira é uma das melhores leis de direitos autorais do mundo, uma das mais novas, onde o autor é totalmente protegido. Nos Estados Unidos, se está inclusive querendo fazer mudanças na legislação. Pela lei anglo-saxônica, o autor não é tão protegido. Se você acabou de fotografar, entregou o material para a empresa, o direito é dela. Ela te pagou, é dela. Existem três tipos de propriedade intelectual: o direito autoral sobre obras intelectuais, o direito autoral de software e o direito de propriedade industrial. Aqui no Brasil, a gente raciocina muito pela lógica do “copyright”, mas isso está errado. Você não tem que entregar nada. Antigamente, a nossa lei dizia que o dono do negativo seria o dono da obra. Mas hoje não tem isso. Quem fotografou é o dono da obra. A obra é intransferível, inalienável por lei. Quem fotografou sabe os detalhes da imagem, e em caso de dúvida pode provar que ele é quem fez a foto.

Modelo de contrato de licenciamento de direitos autorais

Lei 9.610/1998

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